RSS

Quatro argumentos pela legalização da maconha, do ponto de vista de um não-usuário.!.

17 maio

“Galera, nas minhas jornadas, na madrugada, ví em um blog ( Pesadelo.net ) um texto muito bom sobre a descriminalização e/ou a legalização das drogas e gostaria de compartilhar tal texto com vcs caros amigos. Mesmo sendo um otimo texto e convincente devo admitir que ainda não possuo opnião formada sobre esse tema .”  Diego vulgo “o gordo”

Encontrar textos, frases e músicas defendendo a descriminalização e/ou a legalização completa da maconha é relativamente simples. Basta uma googlada rápida para cair em meia dúzia de sites, blogs e letras de músicas sobre o tema.

O problema de verdade é que, em vez de discussões e argumentações sérias, o mais comum é encontrar frases de efeito e bordões bobos falando coisas de “cabeça ativa” e bobagens similares. Pior ainda, normalmente são sites de notórios usuários viciados auto-declarados, o que costuma levantar suspeitas sobre a real isenção da pessoa que está argumentando.

Apesar de ad hominem ser uma forma tosca de argumentar, não dá pra negar que a imensa massa de semi-analfabetos funcionais costuma considerá-la válida. Então nada melhor que descrever alguns argumentos a favor da dita legalização, apresentados por alguém que não é usuário nem de álcool.

1. O argumento da hipocrisia
Típica cidadã exemplar e refinada

Vivemos numa sociedade assumidamente usuária de drogas.
Drogas são comercializadas livremente, consumidas com orgulho, e várias delas são consideradas símbolos de status e sofisticação. Basta pensar num vinho ou uísque caríssimos, e você vai entender.

Uma quantidade imensa de pessoas conta com orgulho dos porres que toma ou de quantas caixas de cerveja aguenta antes de cair. Propagandas na TV aberta endeusam o ato de beber, e já que estamos falando em endeusar, o álcool em forma de vinho é tratado como uma bebida sagrada por meia dúzia de religiões. Isso pra não falar das várias formas de se fumar nicotina e associar isso a status.

É fato histórico que todo o movimento de criminalização da maconha nasceu nos Estados Unidos fortemente inspirado por uma campanha de preconceito e difamação contra os mexicanos e latinos em geral. Enquanto os “cidadãos de bem” da elite branca se drogavam com seus uísques e charutos, se esforçaram com grande sucesso para marginalizar a droga usada pela sub-raça dos imigrantes latinos. E o esforço foi tão bem sucedido que o mundo inteiro acabou comprando essa idéia hipócrita. Inclusive nós mesmos, os próprios alvos do preconceito, do alto do nosso eterno complexo de vira-latas, abraçamos a causa.

2. Cada um estraga a própria saúde como quiser
(abaixo de 500g é considerado uso próprio)

“Ah, mas maconha é proibida porque faz mal a saúde”.

Provavelmente, verdade. Existem incontáveis estudos tentando definir o quanto mal ela faz, e discussões acaloradas se ela é menos ou mais prejudicial que o cigarro, a cerveja ou a jujuba de morango, mas sinceramente é uma discussão irrelevante. Para simplificar a argumentação, vamos apenas presumir que a maconha faz mal, e que faz bastante mal à saúde.

A pergunta que fica é: “E daí?”
Só pra não ficar preso à comparação com álcool e cigarro, vamos mudar de assunto pra algumas coisas ainda mais “inofensivas”. Chocolate faz mal. Carne de porco faz mal. Coca cola faz mal. Açúcar faz mal. E aí? Vamos sair proibindo tudo isso? Vamos invadir supermercados, prender fazendeiros nos canaviais, e indiciar aquela sua tia gorda diabética como receptadora de tráfico da Nestlé?

Não! Não vamos! Vivemos numa sociedade supostamente livre, e cada um tem o direito de destruir a sua própria saúde como bem entender. Você pode até tentar argumentar que X faz menos mal do que Y, mas é uma argumentação tão boba quanto dizer que picanha faz menos mal que torresmo e por isso um devia ser proibido e o outro não.

3. A proibição prejudica a vida de quem não usa
“Na minha mão é mais barato”

Ok, vamos aceitar que cada um tem o direito de destruir sua própria saúde, mas que mal tem o estado tentar protegê-los de si mesmos? Simples. Isso prejudica e traz ameaças à vida de quem não é usuário, com o perdão do trocadilho infame, de droga nenhuma.

Você se lembra do Rio de Janeiro Cidade Maravilhosa, terra das praias encantadoras, do Cristo Redentor, da garota de Ipanema, do samba e de gente bamba? Provavelmente não. Provavelmente você se lembra do Rio de Janeiro das chacinas, dos traficantes, da corrupção policial, das quadrilhas e comandos, e da criminalidade em geral.

Você já parou pra pensar que uma grande, uma enorme, uma imensa parte dessa criminalidade é sustentada e viabilizada pela proibição das drogas? Já parou pra pensar que se vendessem maconha na padaria, uma grande maioria dos traficantes não ia ter o que vender e que, não tendo o que vender, eles não teriam dinheiro para comprar metralhadoras, fuzis, granadas e subornar policiais?

Todo mundo se lembra do que aconteceu no início do século passado quando os EUA resolveram proibir as bebidas alcoólicas – o país inteiro ficou a mercê do tráfico, gângsters, polícia corrompida e explosão de criminalidade. É exatamente o que passamos graças ao combate ao tráfico hoje, mas a sociedade inteira parece idiota demais pra aprender com os próprios erros.

Então, como conseqüência da criminalização todo mundo, usuário ou não, é obrigado a conviver com uma explosão de criminalidade que gira em torno e se sustenta do tráfico. Todos pagamos com a nossa própria qualidade de vida e segurança para sustentar o puritanismo da elite legislante.

4. O governo tem mais o que fazer com o dinheiro público

Você já tentou se perguntar quanto dinheiro o poder público gasta todos os anos apenas para combater o consumo de drogas e toda a criminalidade, tráfico e corrupção derivadas dele?

Já tentou imaginar no quanto este dinheiro estaria melhor empregado em campanhas educativas ou investido em escolas, hospitais, estradas, e aquela coisa toda que governos supostamente deveriam fazer?

Sinceramente, você já parou pra refletir no que há de errado no jeito que funciona hoje a legislação relativa ao cigarro? As fabricantes de cigarros são empresas legalmente constituídas, pagam seus impostos, geram empregos honestos, movimentam a economia formal, contribuindo para o desenvolvimento do país. A população tem todo tipo de alerta e campanha educativa informando dos males do cigarro ao seu alcance. Aquele que apesar de todos os avisos quer continuar fumando mesmo assim, tem todo o direito de exercer sua estupidez sem ser marginalizado.

Ganham todos – o governo, com mais arrecadação e menos gastos; o usuário, que pode exercer seu vício sem se relacionar com o crime organizado; o não-usuário, que não precisa ficar exposto à violência e criminalidade relacionadas ao tráfico.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: