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Saiba tudo sobre os métodos que adiam a gravidez, da tabelinha às novas pílulas…

25 set
Editora Globo

Maternidade adiada

Sintoma da vida moderna, retardar a gravidez tem sido supercomum na atual geração das mulheres de 30. Algumas querem priorizar a carreira, outras têm planos de viagens ou de estabilidade financeira e há aquelas cujo relacionamento ainda não está no ponto de se planejar família. Cada qual com seu motivo, todas essas mulheres usam algum meio contraceptivo. Não há dados sobre o método preferido nessa faixa etária, mas sabe-se que 23% das brasileiras em idade reprodutiva escolhem a pílula para evitar a gravidez. Segundo os ginecologistas, no entanto, ainda há muita desinformação quanto às outras opções, efeitos colaterais e vantagens dos diversos tipos de anticoncepcionais. A seguir, especialistas esclarecem tudo o que é preciso saber para adiar o sonho de ser mãe para um futuro um pouco mais distante — inclusive a opção do congelamento de óvulos.

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Métodos hormonais

Como funciona: hormônios sintéticos semelhantes à progesterona e ao estrógeno produzidos nos ovários estabilizam os níveis hormonais que causam a menstruação e, consequentemente, inibem a ovulação.

Vantagens: o mais importante benefício desses métodos contraceptivos, segundo o ginecologista José Bento de Souza, é a preservação da fertilidade. “Uma das principais causas de infertilidade hoje é a endometriose, desencadeada pelo acúmulo de tecido do endométrio (membrana que reveste a parede uterina) não eliminado durante a menstruação”, afirma. “Os hormônios sintéticos, ao inibirem a ovulação, evitam que o endométrio inche e se desprenda, movimento natural que ocorre para que ele acomode os óvulos para a fecundação.” É por esse motivo, diz ele, que, em casos de suspeita da doença, cada vez mais médicos indicam pílulas de uso contínuo, que interrompem o ciclo menstrual.

Quais são os tipos:

Pílula: as da nova geração, mais modernas, têm na fórmula níveis baixíssimos de hormônios (dez vezes menos estrogênios e 164 vezes menos progesterona), o que traz benefícios além da contracepção: melhora os sintomas da TPM e a cólica, regula a oleosidade da pele e causa menos retenção de líquidos, por exemplo. As desvantagens são os efeitos colaterais, que variam de mulher para mulher: dor de cabeça, piora das varizes em quem tem tendência, ganho de peso e queda da libido.

Patch: age da mesma forma que a pílula, mas é recomendado para quem é indisciplinado na ingestão dos comprimidos e para quem tem problemas hepáticos (já que não é metabolizado no fígado). A troca do adesivo é feita semanalmente. A única desvantagem é que a cola pode causar irritação na pele ou desgrudar antes da hora.

Anel vaginal: também atua como a pílula e o adesivo, mas a troca é feita uma vez por mês. O ponto negativo é o desconforto por ele ter de ser inserido, em consultório, na vagina.

Injeção mensal: tem os mesmos efeitos colaterais e vantagens da pílula e é recomendada para quem é indisciplinada na ingestão dos comprimidos. A desvantagem é que a eficácia pode ser reduzida se a injeção não for tomada no dia correto.

Implante: uma cápsula de progesterona é inserida sob a pele e libera o hormônio gradativamente por até três anos. O inconveniente, além da incisão na pele e do preço mais elevado (em torno de R$ 1.500), é que pode deixar o ciclo menstrual irregular.

Um estudo do Royal College of General Practitioners avaliou 46 mil mulheres do mundo todo durante 40 anos e mostrou que o uso regular da pílula pode diminuir o risco de algumas doenças, como certos tipos de câncer e ataques do coração

Editora Globo

Métodos de barreira

Como funciona: são os mais simples na forma de ação, pois apenas impedem que os espermatozoides cheguem ao útero.

Vantagens: não têm nenhuma contraindicação nem efeito colateral.

Quais são os tipos:

Camisinha: além de método contraceptivo, é a única proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. A desvantagem, fora a necessidade de interromper o ato sexual para a colocação, é que, se ela for feita de forma errada, o látex pode romper, deixando a mulher desprotegida.

Diafragma: membrana sintética que recobre o útero. Já foi muito utilizado, mas caiu em desuso por causa da logística complicada: deve ser colocado 15 minutos antes do ato sexual e retirado, no máximo, em seis horas . Também se deve lavá-lo antes de guardar.

Editora Globo

Dispositivo intrauterino (DIU)

Como funciona: um dispositivo (antes feito de plástico e atualmente de cobre) é colocado dentro do útero para impedir a fixação do óvulo. Hoje, o chamado DIU medicado contém progesterona sintética para alterar o muco do colo uterino e impedir que os espermatozoides cheguem ao útero. A desvantagem do método é que ele pode desregular o ciclo menstrual.

Vantagens: não tem efeitos colaterais por ter ação apenas local.

Métodos comportamentais

Como funciona: são práticas mais antigas e instintivas, sem o uso de nenhum medicamento. É também o método menos seguro — o índice de eficácia é de 30 a 40%, segundo especialistas.

Vantagens: não tem nenhuma contraindicação nem efeito colateral.

Quais são os tipos:

Tabelinha: segue-se um cálculo com base no ciclo menstrual para que as relações aconteçam apenas no período em que a mulher não esteja fértil — em geral o período de ovulação ocorre entre 12 e 16 dias antes da menstruação. Para as que têm ciclo irregular, no entanto, a matemática é bem imprecisa.

Coito interrompido o pênis é retirado minutos antes da ejaculação. Nesse caso, a responsabilidade de evitar a gravidez fica quase totalmente nas mãos do homem.

A mulher nasce, em média, com 200 mil óvulos em cada ovário e tem em torno de 500 ciclos menstruais durante a vida. Considerando-se que a cada ovulação se gastam cerca de mil óvulos, aos 30 anos ela terá apenas metade de seu estoque

Óvulos no laboratório

Até pouco tempo, congelar óvulos era um recurso recomendado apenas em situações extremas, como no caso de mulheres que se submetiam a tratamentos como o de câncer nos ovários e queriam garantir a realização do sonho de ser mãe. Hoje, a prática já é considerada também por mulheres saudáveis que desejam adiar a maternidade. Nos EUA, segundo o especialista em fertilização Sherman Silber, está crescendo o número de pacientes na faixa dos 35 anos que buscam a técnica como parte do planejamento da gravidez a longo prazo. “É como um seguro”, diz ele. “A meu ver, todas as mulheres que desejam engravidar depois dos 35 deveriam buscar uma forma de manter seus óvulos jovens, ou com congelamento ou com biópsia do ovário”, afirma, referindo-se a outra técnica, que congela uma parte do tecido ovariano, feita hoje apenas por ele e pela Universidade de Amsterdã.

Aqui no Brasil, esse fenômeno ainda está no comecinho, mas também já pode ser notado. “De um ano pra cá, as técnicas de congelamento melhoraram muito”, diz Luiz Fernando Dale, um dos maiores especialistas em medicina da reprodução do país. “E a recuperação de óvulos e embriões subiu de 40% para 80, 90%. Isso faz com que médicos sintam-se mais à vontade para recomendar o método e as mulheres mais interessadas em usá-lo.” Mas, apesar dos avanços, segundo ele, é importante lembrar que congelar óvulos não é garantia de um bebê no futuro — assim como na fecundação natural, a chance de gravidez é de 40 a 45%. O custo da vitrificação, a técnica de congelamento mais utilizada hoje, também pode ser um impedimento: cerca de 15 mil reais.

A Universidade da Carolina do Norte (EUA) testa o ultrassom como contraceptivo masculino. Em resultados preliminares, divulgados em maio, as aplicações nos testículos interromperam a produção de esperma e eliminaram as reservas já existentes, deixando o homem infértil por seis meses

Para onde foi o desejo

A pílula é um dos métodos mais seguros e fáceis de usar, mas pode gerar um efeito colateral inconveniente o bastante para fazer com que muitas mulheres a evitem: a diminuição do desejo sexual. Segundo especialistas, esse problema atinge cerca de 30% das consumidoras. “Algumas pílulas diminuem os níveis de testosterona, o hormônio responsável pela libido”, explica o ginecologista José Bento de Souza. Mas não há um fator ou substância específica que cause essa redução, ela varia de acordo com cada organismo. Tanto que uma pesquisa recente da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) revelou que uma parcela de mulheres diz notar o efeito contrário: 11% afirmaram sentir aumento do desejo sexual com o uso da pílula. “A libido é algo complexo e envolve questões psicológicas, físicas, sociais e culturais, não só o anticoncepcional”, diz o ginecologista Gerson Pereira Lopes, da Febrasgo. Por isso, quem sofre desse mal deve testar marcas e combinações hormonais, como uma com baixo teor androgênico, antes de desistir do método.

Surrupiei da Marie Claire

 
 

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