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Um colega me disse que os homens confidenciam pouquíssimas coisas para os amigos… Por que viver assim tão fechados?

29 jul

Olha, é um pouco verdade mesmo. A boca de um homem é um féretro e é um túmulo. Todas as paranoias, as vontades, os medos, tudo que vai n´alma de um macho, tudo isso fica a sete palmos, enterrado debaixo de uma capa de asfalto, pelos e cimento, sob campos de futebol, filmes do Rambo e ringues de boxe. Homens não deveriam chorar e o último sujeito que se confessou em público era cabeludo e o fez à força, pregado num pedação de madeira…

Tudo porque o nosso grilo falante é um pedreiro, um motorista de betoneira.

Perceba: a fatia menino da existência cresce com essa ideia de que falar tudo é mal, é péssimo. É fraqueza. E de que uma DR, a discussão de qualquer tipo de relacionamento, é coisa de origem única e exclusivamente feminina. Donde, em geral, moços oferecem aquela cacetíssima resistência em dizer a uma garota coisas como: “olha, não dá mais”; “veja bem, apareceu outra”; “não curti o sexo”; “podemos ser só amigos”; “quero você”, “cê cozinha mal”…

E você dirá: – Exagero, João! É exagero! Os homens não são criados mais assim…

Ora, mas são, claro que são. E sempre serão. Minha pequena Maria Antonieta, vamos queimar de vez os sutiãs da resistência e entender: a formação masculina não é feita com palavras. É feita com gestos. Observe o recreio de qualquer colégio e veja o catecismo de crueldades e de bravuras que untam a espinha masculina. Meninos não vão juntos ao banheiro. Meninos são polidos para ser afiados. Somos de grunhidos, não de conversa.

Portanto, sim. Seu amigo disse bem. Mas perceba a sutileza: seu colega lhe fez, na verdade, uma… confissão. Sim, sim! Donde há esperança. Há esperança e explico: se a sinceridade no homem ganha um molho azedinho e escurinho, a sutileza é que, por baixo disso, dorme uma vontade de escancarar, de abrir o cofre inteiro.

Primeira verdade: não é sempre, mas em certos momentos, sob a Lua certa, homens falam com mais profundidade e mais sensibilidade do que, arrisco, qualquer um daqueles congressos femininos realizados num lavabo.

Segunda e última verdade: existe essa lenda de que não existe amizade entre homem e mulher e de que só os Pepeus, os homens femininos, funcionam como uma porta para entender o lado de cá do paraíso. Olha… Eu disse lá em cima que nossa boca tem zíper e é um caixão. Que as nossas verdades ficam todas tão trancadas. E disse que, quando elas, as verdades, saem, só um galão de Cepacol pra enganar o bafo. O bafo das grandes confissões masculinas.

Mas o grande lance é que os homens são doidinhos para conversar. A gente só faz de um jeito diferente. Uma moça esperta, com estímulos certos, sem oferecer a possibilidade de julgamentos (lembre-se do recreio: meninos crescem achando que estão sendo testados e comparados a todo instante), uma moça assim tirará o leite do nosso coração de pedra. Homens falam, homens confessam, homens se derramam muito mais do que vocês, mocinhas, desejam, sonham e imaginam. E se você conseguir chegar lá, eu te prometo: vale a pena. Porque muito mais do que essa coisa de melhor amigo gay, vocês não imaginam como é fundo e doce um rapaz despregado de todo e qualquer medo de escancarar o seu interior. O seu recheio.

Todo homem tem sangue de moranguinho.

Surrupiei do Marie Claire



 

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