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Aprenda os truques de barman…!!!

16 abr

Cursos ensinam como fazer coquetéis em casa – e ainda tirar onda fazendo malabarismo com as garrafas

Edu Girão

Na Vila Mariana, uma casa com muro de pedra esconde uma escola. É o primeiro dia de aula, e os alunos recebem o material didático. O lápis traz o nome de uma marca de cachaça, e o bloco tem patrocínio de um fabricante de rum. “Lição de casa”, avisa o professor. “Abram a apostila na página 3 e traduzam a lista de utensílios de bar para dois idiomas.” Bem-vindo ao curso de formação de bartenders.

De boina e camiseta preta, Sylas Rocha parece saído do filme Tropa de Elite. O despojamento combina com o ambiente de trabalho. Atrás do balcão do bar/sala de aula, ele ensina o bê-á-bá da coquetelaria no curso básico da Flairbrasil. Mas que importa saber que coqueteleira em inglês é “shaker” e saca-rolhas “corkscrew”? “Barman trabalha em qualquer canto. As receitas dos drinques são as mesmas no mundo todo, mas é preciso dominar o básico do idioma”, explica Sylas. Coquetelaria é cultura. Numa aula, a turma assiste a um DVD sobre a história e a fabricação de destilados; em outra, aprende que uma onça equivale a “cerca de” 28 mililitros e descobre como dosá-la no olhômetro (o truque é contar até quatro enquanto despeja a bebida). Sexta-feira é dia de aula prática: um a um, os alunos passam para trás do balcão e, sob a supervisão de Sylas, testam o know-how adquirido preparando coquetéis, que serão avaliados pelos demais. “Se você seguir as regras, não tem erro”. Por regras, entendam-se as medidas e técnicas de preparo de cada coquetel – batido, mexido ou montado.

O curso básico da Flairbrasil tem nove aulas. As primeiras quatro são de coquetelaria. Do bar, descendo-se um lance de escadas, chega-se ao pequeno galpão onde ocorrem as quatro aulas seguintes, voltadas ao flair. O termo em inglês batiza os malabarismos realizados durante o preparo de um drinque – lembra de Cocktail (1988), filme com Tom Cruise? Daniel Moya, o “Estopa”, não é nenhum galã de cinema, mas entende muito do assunto. Quicando coqueteleiras com o cotovelo ou fazendo-as rolar pelo braço, parece um artista do Cirque du Soleil (ou um dos Harlem Globetrotters…). “Flair é treino”, garante Estopa. E ginástica: ao fim de duas horas, as articulações estão doloridas. As garrafas caem o tempo todo no chão: sorte que essas são de plástico, com o peso aproximado ao de uma de vidro vazia. O curso se encerra com prova – escrita e prática. Na primeira delas, os alunos têm 25 minutos para responder a questões como “qual é a receita do long island ice tea?” e “cite as três categorias básicas de coquetéis” (resposta: short drink, long drink e hot drink). Na prova prática, repetem–se as sequências de flair aprendidas na aula – para cada uma, são três chances de acerto.

Feito malabarista de circo, o flair bartender quica coqueteleiras
com o cotovelo e as faz rolar pelo braç

As aulas de flair são uma divertida pagação de mico. Quem quiser pular essa etapa pode fazer só metade do curso, por 50% do valor. Ou se inscrever em outro, da Associação Brasileira de Bartenders (ABB), instalada num prédio comercial no centro da cidade. Na sala 1313, dez alunos se acomodam em carteiras escolares. Em pé, o sujeito magro, com óculos e cara de nerd, poderia se passar por professor de física. Mas, atrás dele, em vez de quadro negro, há prateleiras com garrafas de variados tamanhos e teores alcoólicos. Campeão brasileiro de coquetelaria em 2009, Luis Cláudio Simões se divide entre o balcão do 1820 – The Blue Bar, no Jardim Europa, e as aulas na ABB, em que os alunos são estimulados desde o começo a assumir a bancada. A duração mais longa do curso, de 22 dias, favorece uma cumplicidade típica de colégio, com conversinhas e piadas (o preparo de um martíni de melancia e pepino rendeu a seguinte pérola: “Se esse é o pepino-japonês, imagina o africano…”). Cada drinque circula entre as carteiras – de canudo na mão, os alunos dão uma provinha. Segundo Luis Cláudio, metade ali trabalha na área e metade vê tudo como hobby. É o caso de Thiago Peripato, 26 anos, formado em educação física. Em março, depois de uma aula, gastou R$ 60 para equipar sua casa com um mixing glass, um dosador e um pour mat (esteira de borracha que recolhe o líquido derramado). “Vou aproveitar para fazer festa com os amigos. Mas, no futuro, quem sabe não trabalho com isso?”

Flairbrasil Curso: R$ 400 (nove dias) ou R$ 200 (cinco dias) – R. Tangará, 210, tel. 5539-4486, www.flairbrasil.com.brAssociação Brasileira de Bartenders Curso: R$ 500 (22 dias) – Av. Senador Queirós, 605, conjunto 517, tel. 3229-4666

Claus Lehmann

MANHAS DE BARMEN
Sylas (ao fundo) supervisiona o preparo de um drinque. Ao lado, Estopa (de costas) ensina os movimentos do flair
Fonte: Epoca SP
 

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